O inglês, a leitura e o vestibular

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O inglês, a leitura e o vestibular

Além daquela manjada frase “the book is on the table”, você talvez já tenha ouvido falar que – para aprender uma língua estrangeira – é preciso esquecer o que sabemos sobre a língua portuguesa. Também se costuma dizer que – antes de uma pessoa ler um texto em inglês – é preciso aprender uma série de palavras, expressões, tempos verbais e estruturas sintáticas.

Pois bem, você não vai encontrar aqui nada parecido com isso. Para você ampliar seu conhecimento da língua inglesa, vamos propor exatamente o oposto: que você – antes de se expor ao inglês oralmente ou de forma escrita – use todo o seu conhecimento prévio. A lingüística – uma área do saber que estuda a linguagem – já provou que usarmos o que já sabemos sobre a comunicação é fundamental para aprendermos uma língua estrangeira ou para usarmos a nossa de modo mais adequado.

Imagine uma situação que, com certeza, todos nós já vivenciamos. Quando temos de falar pela primeira vez com alguém que, até então, não conhecíamos, por exemplo. Antes de irmos ao seu encontro (na escola, no trabalho, na casa de um colega, numa festa, etc.) ficamos pensando sobre como essa pessoa pode ser. Aquilo que passa em nossa cabeça nesse momento é fruto de nossas experiências anteriores, de uma série de outras situações semelhantes que vivenciamos com outras pessoas que conhecemos, em outros lugares e ocasiões. Essas situações – vivenciadas ao longo de nossa vida – nos orientam nessa nova interação.

Experiências anteriores
Assim, a pessoa que imaginamos encontrar, o modo de nos dirigir a ela, os assuntos que abordaremos e como faremos isso são determinados por nossas experiências anteriores, bem como pelo contexto que envolve esse encontro.

Da mesma forma, quando nos deparamos com um texto, procuramos estabelecer relações entre ele e outros textos lidos ao longo de nossa vida. Tentamos nos aproximar do tema que o texto aborda a partir de hipóteses que levantamos acerca do título, da macroestrutura do texto, dos seus aspectos gráficos, do portador (onde o texto é veiculado, ou seja, Internet, jornal, “outdoor”, rótulo, livro de receitas, etc.), do que conhecemos a respeito do autor e de sua obra e do gênero textual em que foi escrito. Além disso, procuramos situá-lo num contexto social, histórico e literário entre outros.

Esses procedimentos, embora simples, são ainda mais fundamentais quando aprendemos inglês, na medida em que o nosso conhecimento da língua estrangeira é bastante restrito e pode ser ampliado se usarmos o repertório que temos sobre o assunto em questão, sobre a língua portuguesa e sobre os gêneros textuais. Vejamos um exemplo que pode tornar essa idéia mais clara.

Alguém lhe pede para ler o aviso.

engaged

Provavelmente, você terá dificuldade para entender o que isso significa. No entanto, se lhe disserem que esse aviso é encontrado na fechadura da porta de um banheiro público, você já terá mais um elemento para se aproximar de seu sentido. Se lhe disserem, ainda, que – ao girar a fechadura da porta – a palavra engaged desaparece e, em seu lugar, surge o vocábulo vacant, será mais fácil concluir que vacant significa “vago”, “livre”, e engaged é “ocupado”.

Conhecimento prévio
Observe que para você compreender o sentido dessas palavras neste caso, seu conhecimento prévio foi fundamental. E você só pôde ativá-lo porque recebeu informações precisas sobre o portador do texto. A partir dessa situação, o conceito de leitura fica mais evidente, ou seja, notamos que ler um texto não se resume à decodificação simplesmente, mas requer que atribuamos sentido a ele. E, assim, também é possível perceber que uma única palavra pode figurar como um texto quando devidamente contextualizada.

Tomar consciência e fazer uso desses procedimentos consiste numa estratégia importante para a realização dos exames vestibulares. As provas que avaliam o conhecimento que o aluno tem do inglês são, em geral, elaboradas a partir de textos ou trechos de textos.

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