Empresa armazena DNA e memória para clones

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Empresa armazena DNA e memória para clones

Empresa armazena DNA e memória para clones

Você gostaria de ter um clone seu no futuro?
Com um banco de dados biológico e emocional das pessoas, o LifeNaut Project pretende guardar material o suficiente para, no futuro, criar clones cujos cérebros contenham todas as informações a respeito de um indivíduo.O projeto teve início em 2006 e visa levantar um debate sobre a ética e os usos possíveis de tecnologias ainda nem existentes – mas também acaba vendendo uma outra ideia…

“Para algumas pessoas, esse pode ser um jeito de continuar sua consciência, ganhar a imortalidade”, diz Bruce Duncan, diretor da Terasem Movement Foundation, organização responsável pelo projeto.

A Terasem foi criada em 2004 por Martine Rothblatt para provar duas hipóteses: a de que, no futuro, um análogo consciente de uma pessoa pode ser criado pela combinação de dados suficientes sobre ela; e que tal análogo pode ser baixado em um corpo biológico ou nanotecnológico e ter experiências comparáveis àquelas vividas por humanos nascidos de forma típica.

Chamado de Transferência de Consciência, esse processo está, no momento, dividido em duas partes: o Mind Files e o Bio Files. O primeiro, como o próprio nome em inglês diz, consiste em um arquivo da mente, uma coleção de informações a respeito de um indivíduo. O segundo seria a armazenagem de material genético (células com DNA) para uma possível construção (caso a tecnologia permita) de clones que receberiam esses “arquivos de memória”. Ambos são tratados como pesquisas pela fundação – e, portanto, precisam de voluntários.

O MindFile já está disponível, e seu site conta com mais de 5 mil cadastrados; nele, as pessoas podem criar seu avatar virtual de graça, colocando datas, fotos, preferências, escolhas, histórias.. “É um banco de dados rico, com informações importantes sobre quem você é, com quem seus filhos e netos poderão um dia conversar”, explica Duncan. “Construir seu avatar virtual leva tempo, pode levar muitos anos para se obter uma cópia satisfatória. Ele é um jeito dos usuários terem uma ideia do tipo de avatar criado enquanto esperamos a possibilidade de transferir consciência para um computador ou corpo”, diz ele.

Uma das aplicações mais práticas e imediatas de tal sistema seria para pessoas que sofrem de perda de memória, como portadores de Alzheimer. Longe de um futuro utópico, um arquivo de vida virtual poderia facilitar o dia a dia e até a convivência do paciente com a sociedade no presente. Outra possibilidade é permitir que filhos, amigos, parentes ou quem quiser tenha acesso ao seu “eu” virtual – o que, segundo Duncan, ajudaria a criar um legado e preservar o conhecimento humano.

Mas a verossimilhança do projeto para por aí. Prestes a entrar em sua segunda fase, o LifeNaut lança esta semana o BioFile – ou arquivo biológico. Os voluntários que desejarem ter suas células armazenadas para uma futura aplicação na construção de clones terão a possibilidade de ceder amostras para a fundação. “Iremos coletar células da boca para, no futuro, gerar um novo corpo. Temos o comprometimento de manter a integridade da informação para posteridade e de usar este material para criar um corpo caso a tecnologia e as leis permitam”, diz Duncan.

Por se tratar de uma fundação, cujos fundos provém de doações e de venda de anúncios no site, aqueles que desejarem participar do BioFiles precisam contribuir com a quantia de US$1 por dia, pelo resto da vida.

“O objetivo é guardar a informação biológica, guardar as células vivas por um período indefinido de tempo e, para isso, elas ficam congelada a -190º C”, explica Nickolas Mayer, diretor de sistemas ciber-biológicos da Terasem. Responsável pela manutenção do material coletado, ele não revela a localização do centro de armazenamento, mas diz que é necessária uma técnica especial para preservar as células. “Temos que evitar a formação de cristais de gelo, pois eles fazem as células explodirem. Por isso, fazemos a vitrificação, que é substituir o citoplasma por uma substância viscosa que impede a formação do gelo”.

Ao doar suas células para o BioFile, a pessoa concorda que não poderá retirá-las para uso médico futuro. O objetivo deste material é (repetindo) a criação de seres biologicamente idênticos ao doador que receberão em suas mentes o “arquivo” da vida deles.

“Este novo ser tem informações sobre sua vida, sua personalidade. Em muitos jeitos, será você – mas será independente e continuará vivendo sua própria vida”, diz Duncan. O diretor vai além: “É uma forma de estender a vida e mudar a evolução como a conhecemos”.

Será? Um organismo clonado nada mais é do que uma cópia geneticamente idêntica ao doador. Mas, assim como irmãos gêmeos univitelinos (que compartilham o mesmo código genético) são diferentes, o clone seria um ser vivo único, independente de quem tenha doado material para a sua criação.

Mesmo que este ser tivesse “baixado” em seu cérebro (por meio de uma tecnologia ainda inexistente) todas as lembranças, memórias, sensações e valores de uma pessoa, isso não o tornaria uma cópia exata dela – e muito menos a “traria” de volta à vida.

Vale lembrar que a tecnologia para criar clones humanos ainda não existe – embora alguns cientistas tenham assumido publicamente testes com embriões, nenhum conseguiu resultados. Ainda assim, as questões éticas suscitadas por um projeto como o Lifenaut são muitas: nós deveríamos clonas seres humanos? E se sim, teríamos o direito de colocar informações em seus cérebros para satisfazer a vontade de alguém (que, provavelmente, já morreu)?

“Somos comprometidos com ética e, como uma organização com base nos Estados Unidos, vamos seguir as leis do país – sem nunca violá-las”, garante Duncan. Para provar que a fundação Terasem está comprometida com o debate ético, um filme sobre as possibilidades de tal tecnologia foi produzido – “2B – The Era of Flesh is Over” (A Era da Carne Acabou).

Manipulação genética, vida eterna, avatares e clones – o LifeNaut parece mesmo reunir todos os ingredientes para um ótimo roteiro. Mas, ao que parece, um roteiro que deve permanecer somente na ficção.

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