Nova Zelândia
Passagem aérea encarece o custo, mas pais é encantador
Segundo a embaixada, cerca de 1.500 estudantes brasileiros embarcaram para Nova Zelândia em 2006. Desde 2001, o país vem registrando crescimentos de aproximadamente 20%, ao ano, no recebimento de alunos do Brasil. A expectativa da embaixada para esse ano é manter esse índice e alcançar o número de 2.000 intercambistas.
Mesmo com o aumento, o país ainda está muito longe de atingir as médias da Austrália, que atraiu cerca de 10 mil brasileiros, em 2006. Para o diretor de finanças da Belta (Brazilian Educational & Language Travel Association) -associação de agencias de intercâmbio-, César Bastos, o preço da passagem área encarece o custo da viagem dos estudantes que optam pela Nova Zelândia. “Esse é o principal diferencial entre os dois países. E o custo pesa bastante na hora da escolha do destino”, afirma.
Na Nova Zelândia a procura é maior por cursos de inglês. No entanto, observa-se um número crescente de estrangeiros cursando o ensino médio no país. Há, ainda, muitos programas de intercâmbio que mesclam cursos de idiomas com a pratica de esportes de aventura -esqui, snow board, golfe, biking e rafting. Essa é uma opção bastante atraente para os estudantes de 16 a 25 anos.
Respeitadas internacionalmente por seu desempenho acadêmico e de pesquisa, as oito universidades federais neozelandesas oferecem cursos de graduação e pós-graduação nas mais variadas áreas do conhecimento. As áreas que mais se destacam no país são agronomia, agricultura, medicina veterinária, ciências ambientais e turismo.
Para estudar na Nova Zelândia por um período superior a três meses, é necessário obter o visto de estudante. Com o documento, estrangeiros podem trabalhar até 20 horas semanais no país, desde que matriculados em cursos de Inglês (com um resultado IELTS de pelo menos 5.0) -com duração de pelo menos seis meses- ou em cursos de duração de dois anos.
Riquezas neozelandesas
Com uma população de cerca de cinco milhões de habitantes, a escolha representa também uma oportunidade de vivenciar um estilo de vida bem tranqüilo e em contato com a natureza, já que o país preserva um número enorme de parques nacionais, com fauna rica em espécies de marsupiais, focas, pingüins e pássaros.
As cidades mais populosas do país são a capital Wellington e Auckland, ambas na ilha norte. Auckland tem um milhão de habitantes, abriga um porto e sua geografia favorece a prática de esportes radicais aquáticos. Por ser o maior centro do país, Auckland é também a preferida de muitos estudantes estrangeiros. Repleta de construções verticais, a cidade abriga o maior edifício do hemisfério sul, de onde é possível pular de bungee jump.
A consciência ecológica está presente em todas as esferas da cultura da população do país, e o visitante pode notar isto já na rígida fiscalização feita no aeroporto. É proibida a entrada de qualquer semente, planta ou alimento de origem animal, que são detectados com equipamentos de alta tecnologia. O objetivo é evitar interferências em seu equilibrado ecossistema.
Os neozelandeses são conhecidos como kiwis, mas isso nada tem a ver com a fruta de mesmo nome. A origem da nomenclatura está numa ave que já foi muito comum na ilha e hoje pode ser encontrada em alguns parques.
A cultura maori é outro aspecto da história do país que deve ser conhecido pelos estudantes. Para se deslocar, por terra, da ilha norte para a ilha sul, deve-se passar necessariamente por Wellington, a capital do país, que abriga um grande museu com a cultura maori, restaurantes e cafés alternativos, além do porto de onde se embarca para o sul. A viagem dura cerca de três horas.
Enquanto as paisagens da ilha norte são mais vulcânicas, com lagos, crateras no solo e “piscinas de lama” (mud pools), ao sul a natureza é mais exuberante com florestas tropicais, belas praias e montanhas. Ao norte as cidades mais importantes são Auckland, Wellington, Rotorua e Hamilton, e ao sul, Nelson, Queenstown, Te Anau e Dunedin. Todas valem uma visita.
Inglaterra
Destino é o terceiro favorito dos brasileiros
A Inglaterra mantém-se como um dos destinos favoritos dos brasileiros que querem estudar no exterior -é o terceiro mais procurado, depois de Canadá e Austrália- de acordo com pesquisa de 2006 da Belta (Brazilian Educational & Language Travel Association), associação de agências de intercâmbio.
De março de 2006 a março de 2007, segundo o British Council -organização internacional do Reino Unido- , dos 25.532 estudantes brasileiros que estiveram na região, cerca de 80% escolheram o país como destino. Em relação a 2005, a procura de brasileiros por cursos universitários no Reino Unido cresceu 11% e os cursos de inglês receberam 45% mais alunos.
A maioria viaja em busca de cursos de inglês, mas a Inglaterra também oferece opções para quem busca uma graduação. O país abriga algumas das universidades mais bem conceituadas do mundo , como Oxford, Cambridge, Sussex, Manchester, Lincoln University, London Business School e London Institute of Technology and Research.
No Reino Unido, os programas de pós-graduação têm mais procura do que os de graduação. Segundo o gerente de promoção de educação do Conselho Britânico, Rodrigo Gaspar, nos últimos quatro anos, a procura por essa modalidade cresceu 52%. Segundo ele, isso se deve à possibilidade de conclusão de mestrado em apenas um ano. As áreas que mais atraem os estudantes brasileiros são as ligadas a “management” (administração, economia), direito, comunicação, artes e design. Engenharia e educação vêm depois, seguidas da área de ciências biológicas.
Visto
Visitas de negócios, turismo ou estudos por um período de até seis meses não precisam de obtenção de visto antes da viagem. Além disso, estrangeiros, mediante o visto de estudante, podem trabalhar até 20 horas semanais durante o período letivo e até 40 horas semanais nas férias escolares. “A atividade remunerada deve ser encarada apenas como um extra, não podendo ser a principal fonte de renda do estudante”, diz a funcionária do consulado britânico Marina Zelenoy.
O departamento de imigração do país tem sido cada vez mais exigente com brasileiros. Visitantes com documentos irregulares podem ser obrigados a retornar a seus países de origem. O rigor se deve principalmente ao grande número de problemas com trabalho e permanência ilegais envolvendo brasileiros no país.
Segundo dados oficiais, os brasileiros lideram o ranking de deportações do Reino Unido – com 14,5% do total de 34.435 negações de entrada de 2006, seguidos por paquistaneses.
Além de mostrar a passagem de volta, o estudante deve providenciar todos os documentos relacionados ao curso, provar que tem recursos financeiros para pagar a estadia e apresentar endereço do local em que deve ficar.
Perfil inglês
A Inglaterra tem 130.395 km² e integra o Reino Unido, juntamente com a Irlanda do Norte, Escócia e País de Gales. O país tem como regime político a monarquia parlamentar. Seus principais representantes são a rainha Elizabeth 2ª e o príncipe Charles, pela família real, e Gordon Brown, atual primeiro-ministro.
O país britânico é predominantemente formado por planícies, mesmo havendo regiões de planaltos no norte (a Cadeia Pennine, as montanhas Cumbrian e as charnecas de Yorkshire) e no sudoeste (Cornualha, Devon e Somerset). Em relação às outras nações da União Européia, a densidade demográfica da Inglaterra é alta, com 376 pessoas por quilômetro quadrado -a maior parte dos países tem cerca de 117 pessoas por quilômetro.
Londres, a capital, é conhecida internacionalmente pela agitada vida cultural que oferece desde as melhores atrações musicais até exposições em museus e boas peças de teatro. Como nem tudo é perfeito, a cidade também tem reputação de ser cinza. O estigma se deve às cores neutras usadas em sua arquitetura. Há também os tons amarronzados, beges e pastéis.
O clima temperado faz com que o país tenha uma temperatura instável e passe a maior parte do ano nublado. Mesmo no verão, é recomendável sair sempre agasalhado, porque a garoa vem e vai várias vezes ao dia. É comum ouvir brasileiros reclamarem da falta de sol. Nada que uma “pint” (copo típico para cervejas) em um dos muitos pubs da cidade não cure.
Por terem grande importância no contexto histórico da Europa, os castelos da Inglaterra e seus museus e monumentos na capital e no interior merecem ser visitados. Para quem vai a Londres, o ônibus de dois andares, as cabines telefônicas, o Palácio de Buckingham, o Big Ben e a enorme “roda-gigante” projetada para a virada do milênio (The London Eye), à beira do rio Tâmisa, são algumas das atrações da cidade.
Alemanha
País permite que estudante trabalhe até 20 horas por semana
Estudantes brasileiros costumam ir à Alemanha principalmente para estudar o idioma oficial do país, mas o grande número de universidades e a boa qualidade de ensino também o colocam como um dos melhores destinos para quem quer fazer um curso de graduação ou pós-graduação no exterior. O país apresenta ainda um campo riquíssimo para a pesquisa, principalmente na engenharia automotiva e nos laboratórios farmacêuticos.
Para ingressar numa universidade alemã, o estudante estrangeiro deve fazer um ano de curso preparatório. Chamado de “Studienkolleg”, o curso tem o objetivo de ensinar o idioma oficial e de complementar a formação do estrangeiro de acordo com o currículo alemão. Isso porque os cursos médio e técnico no Brasil têm duração inferior aos da Alemanha. Enquanto os brasileiros estudam por 11 anos, os alemães demoram 13 anos para completar a mesma formação escolar. A aprovação no teste final do “Studienkolleg” é o passaporte para as universidades do país.
É possível pedir transferência de um curso universitário brasileiro para a mesma carreira em uma instituição alemã, mas apenas depois de completar o mínimo de quatro semestres no Brasil. Neste caso, o procedimento burocrático exige apresentação de histórico acadêmico com tradução juramentada para o alemão e uma pré-avaliação por parte do órgão do país que decidirá em que nível do curso o estrangeiro poderá ingressar. O candidato deve ainda realizar um teste de idioma, conhecido como DSH, ou um teste de equivalência, conhecido como Test-DaF, aplicado pelo Instituto Goethe.
Na Alemanhã também há oferta de programas equivalentes aos cursos técnicos ou profissionalizantes no Brasil. Em algumas universidades é possível encontrar os mesmos programas, com aulas em língua inglesa.
Os estrangeiros (com visto correspondente) têm direito a trabalhar até 20 horas semanais no país, mas, como as leis de imigração sofrem alterações regularmente, recomenda-se perguntar sobre as regras de trabalho na Embaixada do país, antes de comprar a passagem aérea.
Sem estereótipos
Morar na Alemanha é uma grande oportunidade para acabar com estereótipos a respeito da cultura de seu povo. A idéia de que o alemão é não demonstra afeição e é intolerante com imigrantes costuma mudar após as primeiras semanas de convivência.
A Alemanha representa a terceira maior economia mundial, atrás apenas dos Estados Unidos e do Japão. É um país industrializado e populoso, com 82 milhões de habitantes distribuídos de maneira heterogênea pelo país -1/3 do total vive em áreas urbanas.
A região metropolitana de Berlim, que vem crescendo desde a reunificação dos blocos capitalista e socialista (1990), tem uma população estimada em 4,3 milhões de pessoas. Na região industrial entre o Reno e o Ruhr, onde as cidades quase se fundem umas com as outras, vivem mais de 11 milhões de pessoas, mais ou menos 1.100 por km2.
Berlim, a capital, é uma das grandes atrações turísticas para quem vai a Alemanha, não só por ser uma cidade bonita, bem cuidada e agradável, mas por ser um dos maiores símbolos da história contemporânea.
Principal palco da Segunda Guerra Mundial, a cidade também sustentou durante 28 anos o “muro de Berlim” -maior símbolo da divisão do país nos blocos socialista e capitalista. Construído entre 1961, o “muro da vergonha” representou a separação dos sistemas ideológicos, políticos e econômicos das alemanhas oriental e ocidental. Sua queda, em 1989, marcou não só o fim da “Guerra Fria” como também o início da reunificação do país, que ainda hoje investe grande parte de seu capital na duplicação de rodovias e outras “melhoras” na antiga Alemanha oriental.
Reunificada oficialmente em outubro de 90, a Alemanha ainda luta para superar a desigualdade existente entre “ossies” (orientais) e “wessies” (ocidentais).
Argentina
Nossos vizinhos proporcionam educação de qualidade, aprendizado da língua espanhola e paisagens incríveis a preços convidativos
Não é preciso ir muito longe para viver a experiência de estudar em outro país. A chance de incluir no currículo cursos no exterior pode estar bem próxima, como na Argentina. Mesmo sendo esse um destino comum, ele dá as mesmas vantagens pessoais e profissionais que qualquer outro lugar do mundo. “Estudar na Argentina proporciona um rápido aprendizado do espanhol, experiências para a vida toda, e aumenta as chances de empregabilidade”, explica Enrique Helmbrecht, diretor da Coined International, rede de idiomas com sede naquele país.
Viviane Pereira, 28 anos, fez um curso de espanhol em Córdoba com duração de oito semanas. Ela conta que, quando saiu do Brasil, achou que a viagem não seria tão marcante. “Entretanto, conheci pessoas do mundo inteiro e diferentes culturas que se unem pela mesma ponte: o espanhol. Foi uma oportunidade única”, diz ela.
Motivos para escolher a Argentina é que não faltam: a cultura é completamente diferente; a língua nativa é o espanhol, uma das mais faladas do mundo; o país é o principal parceiro econômico do Brasil; o acesso é superfácil; e dá para curtir paisagens incríveis gastando pouco. “A Argentina é cosmopolita e vasta. Oferece várias opções de atividades, cidades, paisagens, com ótimo ambiente educacional”, argumenta Helmbrecht.
E não são apenas cursos de línguas que o país oferece: os superiores estão se tornando muito procurados pelos brasileiros. As universidades disponibilizam estudos em todas as áreas do conhecimento, com destaque para Saúde, Ciências Sociais, Direito, Arquitetura, Engenharia, Informação e Tecnologia. “Há uma preocupação muito grande do governo pela área de educação. No país, o livre acesso ao estudo de qualidade e a participação em políticas do Estado são direitos dos cidadãos. Tanto é que a população é altamente qualificada e politizada”, diz Helmbrecht.
Holanda
Governo mantém cerca de 650 programas educacionais para estrangeiros
Sem a mesma popularidade da França ou Espanha, a Holanda também está entre os destinos dos brasileiros que querem estudar na Europa. Apesar de o holandês ser a língua oficial, a maior parte da população fala inglês com fluência, o que, em termos práticos, pode representar uma vantagem a estudantes que queiram embarcar para o país sem conhecer seu idioma. Além do mais, grande parte dos cursos no país é oferecida em inglês.
A qualidade do sistema educacional e os incentivos do governo holandês também são grandes atrativos para os estudantes internacionais. Atualmente, o país mantém mais de 650 programas educacionais desenvolvidos especialmente para estrangeiros. Há desde cursos rápidos, que duram algumas semanas, até programas de mestrado e doutorado com duração de até quatro anos.
Os estrangeiros podem optar por estudar nas áreas de agricultura, florestas e pesca; artes e humanidades; administração e gestão comercial; educação e formação de professores; engenharia; ciências ambientais; belas artes e artes aplicadas; direito; comunicação de massas e ciências da informação; matemática e ciência de computadores; ciências médicas; biologia; serviços, turismo e lazer; ciências sociais e comportamentais; transporte e comunicações; e planejamento e arquitetura urbana e regional.
Para a maior parte dos programas, é exigida a comprovação de conhecimento da língua inglesa (com nota mínima de 550 para o Tofel ou 5,5 para o Ielts) e, de acordo com a opção do estudante, uma comprovação do curso de bacharelado e, em alguns casos, comprovação de experiência profissional.
Não é tão caro estudar na Holanda, se comparado com a Inglaterra e os Estados Unidos. A maior parte das instituições de ensino superior neerlandesas são subsidiadas. As taxas anuais variam entre US$ 2.000 e US$ 15.000. Além disso, com base nos gastos com homestay, alimentação, transporte e extras, o custo médio mensal no país é de 1.100 euros.
Brasileiros que pretendem permanecer na Holanda por até 90 dias não precisam de visto. Para ingressar no país, basta ter um passaporte válido, passagem aérea com a data de retorno confirmada e comprovação de meios financeiros. Os estrangeiros com visto de estudo não podem exercer nenhuma atividade remunerada na Holanda. Aqueles que desrespeitarem as regras de migração, trabalhando clandestinamente, estarão sujeitos a todas as punições previstas pela lei holandesa, incluindo a deportação para seu país de origem.
Atrações fora da sala
Amsterdã, a capital oficial, é um dos destinos mais procurados pelos turistas, que certamente deverão se render ao transporte mais utilizado no país: a bicicleta. A cidade oferece diversidade cultural e de monumentos históricos. Tem como principais atrações o museu de Van Gogh, a casa de Anne Frank -onde a família judia se escondeu dos nazistas alemães durante a segunda guerra- e outros museus, bares e casas noturnas.
A localização geográfica da Holanda é um aspecto bastante favorável em relação à Europa. Do aeroporto de Schiphol, em Amsterdã, é possível chegar a Berlim, Londres ou Paris com apenas uma hora de vôo. A diversidade de culturas, opiniões e idéias está presente na cultura holandesa, que prega o respeito às diferenças como uma questão de integração e respeito com as minorias.
O país é cheio de canais e, em muitas de suas cidades, o transporte fluvial é um dos principais meios de exportação e importação, tendo como grande ícone o porto de Roterdã, um dos maiores do mundo. Essa é uma das razões pelas quais grande parte das empresas internacionais mantém uma base na Holanda, a exemplo da Shell, Philips, Heineken e KLM.
França
País é disputado por alunos de hotelaria, arte, gastronomia, moda e design
Tradição e modernidade se misturam ao sonho de muitos estudantes de hotelaria, arte, gastronomia, moda e design e fazem a França disputar com a Itália a preferência dos brasileiros que querem estudar em uma dessas áreas. Mas a língua é fator decisivo na escolha de quem ainda está em dúvida. Além de o francês ser mais falado no mundo do que o italiano, uma considerável parte da literatura técnica dessas áreas é escrita na língua francesa.
Segundo a CampusFrance -agência do Ministério das Relações Exteriores da França-, mais de 4.000 brasileiros foram estudar no país em 2006. A expectativa para este ano é manter o número.
O ensino superior no país tem dois sistemas paralelos. Depois de concluir o ensino médio, o estudante pode escolher em ingressar em uma universidade ou em uma “grand école”. Públicas em sua maioria, as universidades oferecem cursos mais teóricos com duração de três anos. Seu método de ensino é mais tradicional e o acesso, livre.
As “grand ecoles” -criadas por Napoleão Bonaparte no século 18- são particulares e mais voltadas para a prática profissional. São conhecidas por submeterem os candidatos a um rigoroso processo de admissão e por fazer política de relacionamento e transferência de tecnologia com as empresas. Seus cursos têm, em média, dois anos de aulas intensivas de conhecimento básico. Depois, há uma nova bateria de avaliações para que o estudante, finalmente, mergulhe nas disciplinas específicas de sua carreira. A nota do aluno nesses testes determinará a escola que poderá estudar por mais três anos até a formatura.
O país abriga importantes instituições, como Sorbonne, Instituto de Estudos Políticos de Lyon, Bordeaux, Chambéry, Grenoble Universités, Aix-Marseille e Toulouse. Mas para fazer a graduação em uma das 6.000 opções, o estudante brasileiro precisa ter nível intermediário de francês e a aprovação no vestibular de uma instituição de ensino superior reconhecida pelo MEC na mesma área de estudos que pretende cursar na França. Os estudantes com o nível superior completo podem se candidatar a uma pós-graduação no país.
Além disso, com o novo procedimento do governo francês, os estudantes devem contatar a CampusFrance, que vai orientá-lo quanto aos processos de candidatura e seleção. A entidade, inclusive, é responsável pelo encaminhamento dos vistos dos brasileiros que optarem por cursos com duração superior a três meses. O governo francês centralizou o processo de ingresso de estudantes estrangeiros na Agência.
Panorama sociocultural
A França tem aproximadamente 62 milhões de habitantes. É a quarta potência mundial e o segundo maior exportador de serviços.
Concentra também grande número de estudantes estrangeiros – 200 mil em todo o país. Isso quer dizer que 10% dos estudantes da França vêm de outros países -o que também é uma vantagem, já que o ambiente universitário costuma ser bastante cosmopolita.
O alto padrão de vida dos franceses é complementado pela vasta opção cultural (teatros, cabarés, museus) e de esportes que o país oferece.
Austrália
Sistema educacional é prioridade do governo australiano
Clima tropical, praias bonitas, surfe, população hospitaleira e um câmbio melhor do que o dólar americano são as principais motivações dos estudantes que escolhem a Austrália como destino de estudo. Segundo estatísticas da Belta (Brazilian Educational & Language Travel Association), o país é hoje o segundo preferido dos brasileiros que vão ao exterior para estudar inglês, ficando atrás apenas do Canadá.
Entre 2004 e 2006, a Austrália registrou um crescimento de cerca de 150% no recebimento de alunos do Brasil. Em 2007, 12,5 mil estudantes brasileiros estiveram no país. Para 2008, é esperado que esse número aumente em 20%.
A principal demanda é a de cursos de inglês, mas a Austrália também oferece opções para quem pretende fazer o ensino médio (high school), graduação, pós-graduação e cursos técnicos com qualidade reconhecida internacionalmente.
O sistema educacional é uma das prioridades do governo australiano, que também estimula pesquisas nas áreas médica, biológica, oceanográfica, física e tecnológica.
Os cursos técnicos vêm ganhando destaque: praticamente um terço dos brasileiros que vão ao país se encaminha para esse tipo de formação. Segundo a gerente da Australian Education Internacional no Brasil, Priscila Donato Trevisan, os mais procurados são os da área de administração, ciência da computação, turismo, hotelaria e ciências físicas. Quando o assunto é graduação e pós-graduação, as áreas de administração, artes, meio ambiente e saúde disparam na preferência dos estrangeiros.
Os estudantes podem, ainda, aproveitar as horas de folga para praticar atividades radicais, entre elas “rafting”, surfe, “canyoning”, mergulho, vôo livre, “bungee jumping”, paraquedismo e “mountain bike”.
Nada de jeitinho brasileiro
Mais do que a natureza preservada, a Austrália encanta por sua cultura hospitaleira. Seus habitantes costumam receber bem turistas e estudantes, que chegam de todas as partes do mundo.
Em Sydney -cidade mais importante do país-, a população é cosmopolita, formada especialmente por europeus e asiáticos. A mistura de culturas pode ser atribuída ao incentivo que o governo australiano oferece aos estudantes estrangeiros, o que não quer dizer que não haja controle sobre eles.
Em toda a Austrália, há muitas regras a serem cumpridas. Há leis que vão desde a obrigatoriedade no uso do capacete para os ciclistas até o pagamento de multas por estudantes internacionais (imigrantes) flagrados com cartões de trem ou de ônibus mais baratos -legalmente, apenas australianos ou residentes têm esse benefício.
Estudantes com passaporte brasileiro devem apresentar comprovantes de renda com o equivalente a AU$ 1000 (mil dólares canadenses), para cada mês de estadia no país. Também devem ter outros documentos que comprovem vínculos com o Brasil, como carteira de trabalho assinada ou matrícula trancada em curso superior.
O objetivo do governo é saber se o estrangeiro tem intenção de permanecer em território australiano. Quanto mais documentos o visitante mostrar, provando o contrário, mais fácil será a obtenção ou renovação de seu visto.
A fiscalização em relação à freqüência na escola costuma ser inflexível. A imigração intima estudantes estrangeiros que não comparecem a 80% das aulas. No caso de reincidência, a imigração pode cancelar o visto do aluno e expulsá-lo do país.
O mesmo rigor é verificado no campo do trabalho. A Austrália é um dos poucos países que dão permissão de trabalho de 20 horas semanais para estudantes internacionais. Só que lá não tem “jeitinho brasileiro”. Permissão de 20 horas não quer dizer de 30 ou de 40 horas. As leis são levadas a sério. O estudante que exceder este período e for flagrado por um agente de imigração terá seu visto cancelado e será deportado do país, sem direito de retornar pelo período de dois anos.
Estilo australiano de ser e viver
Apesar de seguir um grande número de leis e regras, o povo australiano nada tem de tenso ou cerimonioso. Possui bom humor e costuma andar pelas ruas vestido de forma descontraída -com bermudas, camisetas e chinelos ou até mesmo descalço.
A qualidade de vida na Austrália também se deve ao bom funcionamento dos serviços públicos, desde transportes e hospitais a áreas de lazer gratuitas. A Austrália foi colonizada pelos ingleses em 1.770 e já faz parte da lista dos países mais ricos do mundo.
Atualmente, o país apresenta uma das sociedades mais organizadas e um dos melhores IDHs (Índice de Desenvolvimento Humano) do mundo – é o 3º na lista da ONU (Oraganização das Nações Unidas) de 2007. A Austrália tem uma sociedade mais igualitária que a brasileira. Ou seja, há menor diferença entre as classes sociais australianas que entre as brasileiras.
A terra dos cangurus apresenta uma beleza natural e preservada que encanta os estrangeiros. Suas mais de 10 mil praias são o sonho de consumo de qualquer surfista. A diversidade de climas encontrada no território australiano vai desde o calor do “Outback” (nome dado ao deserto no país por estar fora da costa), no centro do país, até as geleiras das “Snowy Mountains” (montanhas de neve), a pouco mais de uma hora de Camberra, capital do país.
Itália
País divide com a França a preferência dos alunos de gastronomia e artes
A tradição nas áreas de moda, arquitetura, design e artes mantém a Itália na rota de estudantes brasileiros que pretendem se especializar em uma dessas áreas.
O país divide com a França a preferência dos administradores de empresas alimentícias, chefes de cozinha e críticos de culinária. Para eles, uma parada no país -um centro internacional da gastronomia- é quase obrigatória. A cidade de Pollenzo, ao norte do país, ganhou a primeira universidade de ciências gastronômicas do mundo.
O programa do curso prevê aulas de turismo gastronômico, geografia dos vinhos, enologia, história da gastronomia e da cozinha, antropologia da alimentação, mercado de produtos agro-alimentares, entre outras disciplinas. Depois de três anos de formação, o estudante termina o curso com diploma de ciências da gastronomia e a possibilidade de obter dois outros certificados de especialização. O custo, por aluno, é de cerca de 19 mil euros anuais (cerca de US$ 23 mil).
Mas nem só de culinária vive a Itália. O Instituto Europeu de Design, a Faculdade de Arquitetura, em Milão e as universidades de Bolonha, Brescia, Florença, Pádua e Roma também oferecem formação superior de prestígio internacional.
Há também diversas escolas de línguas, onde estrangeiros costumam ir para aprender italiano. Algumas instituições, inclusive, oferecem programas que mesclam o aprendizado do idioma com cursos teóricos de história da arte, culinária e cinema.
Estudantes estrangeiros devem obter um visto que autorize a permanência na Itália e, ainda, comprovar condições financeiras para se manter no país. O governo italiano não permite que intercambistas exerçam atividade remunerada no país. Aqueles que violarem as regras e trabalharem clandestinamente estarão sujeitos a todas as punições previstas nas leis italianas, incluindo a deportação para seu país de origem.
Patrimônio histórico e cultural
Além de um museu a céu aberto, a Itália abriga um dos patrimônios culturais mais ricos do mundo. Os italianos estão presentes em todos os campos da arte, como a pintura, a música, a literatura e a dança. O país, que foi pátria de Monteverdi, Vivaldi, Scarlatti, Verdi, Puccini, Bellini and Rossini, também produziu artistas como Marcello Mastroianni, Anna Magnani, Gina Lollobrigida, Sophia Loren e os diretores de cinema Bernardo Bertolucci, Frederico Fellini, Luchino Visconti, Roberto Rossellini e Michelangelo Antonioni.
Quem for à Itália para estudar deve reservar uma graninha para fazer pequenas viagens. Entre as principais cidades estão Roma (capital), Florença, Turim, Milão, Gênova, Veneza, Verona, Nápoles, Parma, Bolonha e Palermo.
Roma é considerada uma das cidades mais bonitas do mundo. Abriga uma série de monumentos arquitetônicos da antigüidade, além de um valioso patrimônio artístico no Vaticano -Estado independente, pertencente à Igreja Católica e localizado no centro da capital.
Mais ao sul, próximo à cidade de Náples, a Itália exibe uma das vistas mais deslumbrante da Europa -a da Costa Amalfitana. A costa, que se estende por 50 quilômetros, mostra o contraste entre o mar azul escuro, rochas e hotéis de charme encostados nos penhascos.
Florença ou Firenze (em italiano) tem a Galeria Uffizzi como uma de suas principais atrações. No museu, é possível ver algumas das pinturas e esculturas mais famosas do mundo. Milão, meca da moda e centro econômico do país, é também repleta de monumentos históricos. Vale visitar o Duomo e o teatro La Scala.
Siena poderia ser apenas uma das cidades medievais da Itália, mas é também um centro turístico que atrai visitantes de todo o mundo, especialmente durante a famosa corrida de cavalos chamada Pálio de Siena.
Verona é a maior cidade da região do Vêneto e uma das mais românticas da Itália, ao lado de Roma e Veneza. Foi cenário da famosa tragédia de William Shakespeare, Romeu e Julieta. Possui um anfiteatro romano, mais antigo que o Coliseu (Roma), onde é apresentado um importante festival de ópera durante o mês de agosto.
Veneza é suja e apinhada de turistas durante a maioria dos meses do ano. Mesmo assim, encanta pela beleza de seus canais e monumentos históricos. No centro da cidade, fica a exuberante Praça São Marcos.